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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Bancários rejeitam proposta da Fenaban, em assembleia unânime, e decidem entrar em GREVE a partir da terça, 6/10


Uma assembleia lotada no Hotel Embaixador, em Porto Alegre, na noite desta quarta-feira, 30/9, decidiu por unanimidade rejeitar proposta de 5,5% da Fenaban e entrar em greve por tempo indeterminado a partir da terça-feira, 6/10. Um dia antes do primeiro dia de greve, na segunda-feira, 5/10, a partir das 18h, no Clube do Comércio, os bancários se reúnem em assembleia para organizar o movimento.

A Fenaban apresentou na quinta mesa de negociação em São Paulo, na sexta, 25/9, uma das piores propostas dos últimos anos de reajuste para o piso e outras verbas salariais dos bancários. Diante de integrantes do Comando Nacional dos Bancários, propuseram reajuste de 5,5%, quase metade da inflação medida pelo INPC nos últimos 12 meses, de 9,88%.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, fez um relato das cinco rodadas de negociação das quais ele participou  com a Fenaban em São Paulo na assembleia. “Os representantes dos bancos ficaram só dizendo não desde que entregamos a pauta em agosto. Os bancos querem trocar os nossos aumentos por um abono. Essa proposta de reajuste representa uma volta aos anos 1990 quando eles apresentavam abono e diziam que estavam dando aumento real. Mas abono não faz parte de salários e ainda tem desconto de INSS e de Imposto de Renda”, avaliou Gimenis.

O presidente também referiu o discurso de crise da Fenaban nas mesas de negociação, o ajuste fiscal do governo federal e exortou os bancários a participarem ativamente da greve. “Essa política de ajuste fiscal só esta beneficiando os rentistas. Só os bancos estão ganhando. Não vamos aceitar pagar a conta do ajuste fiscal. O momento é diferente e exige de nós, bancários, um comportamento diferente. Precisamos de uma greve com muita participação, muito ato, muita passeata”, acrescentou Gimenis.

A proposta de abono é de R$ 2.500, o que não recupera perdas inflacionárias de 4,38%, considerando a proposta de 5,5% e a inflação medida pelo INPC, em setembro, de 9,88%. O índice apresentado pela Fenaban foi considerado muito aquém da proposta que os trabalhadores apresentaram em sua pauta de reivindicações em agosto. Os bancários reivindicam reajuste de 16% (aproximadamente 5,7% de aumento real).

A soma dos lucros líquidos de sete dos principais bancos do país (Itaú, Banrisul, Santander, Banco do Brasil e Caixa), segundo o DIEESE, chegou a R$ 36,6 bilhões no primeiro semestre de 2015. Este montante é 27,4% superior ao lucro líquido destes mesmos sete bancos do primeiro semestre de 2014. “Os representantes da Fenaban nas mesas de negociação ficam reclamando de crise. Eles não podem reclamar de crise com os lucros que apuraram neste primeiro semestre. Nenhum outro setor da economia lucrou tanto. É uma incoerência eles reclamarem de crise e nos oferecerem um índice abaixo da inflação se eles cobram juros de 400% no cartão de crédito”, finalizou Gimenis.

Banco do Brasil

As mesas de negociação específicas com o Banco do Brasil ocorreram concomitantemente às mesas de negociação com a Fenaban. A exceção foi a mesa da sexta-feira, 25/9. A direção do BB cancelou o encontro e não mais se manifestou, mesmo a Contraf-CUT enviando ofício e pressionando por nova negociação. O diretor de Formação do SindBancários, Julio Vivian, participou de algumas reuniões em Brasília. Julio lembrou que a diretora da Fetrafi-RS, Maria Cristina Santos, é que tem acompanhado as mesas e que a substituiu em uma reunião. “A fala oficial do BB repetiu a fala da Fenaban. É discurso de crise e provocação. Vamos construir uma greve forte para dobrar a diretoria”, afirmou Julio.

Caixa

A Caixa tem debochado dos seus empregados. Esta semana enviou um email corporativo dizendo que abono era sim considerado aumento salarial. O problema é que isso não é verdade. Abono não faz parte do salário, se dissolve com descontos de INSS e Imposto de Renda. Outra questão, relatada na assembleia pelo integrante da CEE/Caixa, Gilmar Aguirre, é quanto aos empregos. A Caixa precisa de 103 mil empregados em todo o Brasil. Se comprometeu a contratar 2 mil até o final de 2015, mas fez um Plano de Aposentadoria, o PAA, e está com 97 mil empregados em todo o Brasil. O déficit passou a ser de quase 6 mil. “A Caixa fez uma conta misteriosa. É terrível isso. A Caixa está jogando muito pesado. Temos que fazer uma greve de fato para conquistarmos avanços”, explicou Gilmar.

Banrisul

O assédio organizacional no Banrisul já está tão evidente e já tomou conta que até mesmo os próprios representantes da diretora reconhecem. Aliás, nas três mesas de negociação até agora ouvimos quase só NÃO. Eles chegam a reconhecer que os Banrisulenses estão adoecendo, mas que não é por causa das metas ou do pacote de maldades e redução na rede A atual diretoria é composta, na sua maioria, por funcionários do banco, mas não compareceu a nenhuma rodada de negociação. Não tem nenhum diretor negociando com o Comando Nacional dos Banrisulenses. Estão tentando esvaziar a mesa ou estariam com medo de negociar olho no olho? Há ainda falta de disposição para avançar até mesmo em questões que não representam custos para os bancos. “Vamos para uma grande greve no Banrisul com muita participação para arrancarmos aquilo que o banco nos deve”, ilustrou a diretora da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Denise Falkenberg Corrêa.

Badesul

 O diretor do SindBancários, Sergio Hoff, anunciou que haverá, a partir da segunda-feira, 5/10, 10h, na seda do Badesul a primeira mesa de negociação. A pauta de reivindicações foi apresentada, mas, segundo o dirigente, nada de efetivo aconteceu. O Sindicato tem pressionado com ofícios e solicitações de instalação imediata de mesa de negociação. “Chegou a hora de os colegas do Badesul participarem da greve e construir a mobilização. Lembrando que, nos últimos dois anos, houve conquistas por causa da mobilização dos colegas”, contou Sergio.

 Assembleia de organização da greve

Segunda-feira, 5/10 | 18h | Clube do Comércio (Andradas, 1.085, Centro Histórico de Porto Alegre)

Greve geral por tempo indeterminado de bancos públicos e privados

A partir da terça-feira, 6/10

 Principais reivindicações da Campanha Salarial 2015
> Reajuste salarial de 16% (5,7% de aumento real).
> PLR: 3 salários mais R$7.246,82.
> Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
> Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
> Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
> Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.
> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
> Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
> Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).



 Proposta da Fenaban

 > Reajuste de 5,5% (representa perda de 4% para os bancários em relação à inflação de 9,88%).

> Piso portaria após 90 dias – R$ 1.321,26.

> Piso escritório após 90 dias – R$ 1.895,25.

> Piso caixa/tesouraria após 90 dias – R$ 2.560,23 (salário mais gratificação, mais outras verbas de caixa).

> PLR regra básica – 90% do salário mais R$ 1.939,08, limitado a R$ 10.402,22. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 22.884,87.

> PLR parcela adicional – 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.878,16.

> Antecipação da PLR

Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva. Pagamento final até 01/03/2016.

Regra básica – 54% do salário mais fixo de R$ 1.163,44, limitado a R$ 6.241,33 e ao teto de 12,8% do lucro líquido – o que ocorrer primeiro.

Parcela adicional – 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2015, limitado a R$ 1.939,08.

> Auxílio-refeição – R$ 27,43.

> Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta – R$ 454,87.

> Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) – R$ 378,56.

> Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) – R$ 323,84.

> Gratificação de compensador de cheques – R$ 147,11.

> Requalificação profissional – R$ 1.294,49.

> Auxílio-funeral – R$ 868,58.

> Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto – R$ 129.522,56

> Ajuda deslocamento noturno – R$ 90,67.

Fonte: Imprensa SindBancários


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